16 de mai de 2012

As Vanguardas Europeias - Poemas e Telas


FUTURISMO: Lançado por Marinetti no manifesto “Le Futurisme”, 1909.
Surge entre o Simbolismo e a 1ª Guerra Mundial.
Exalta a vida moderna.
Culto da máquina e da velocidade.
Destruição do passado e do academicismo
Liberdade de expressão.

Poema futurista

Ode triunfal
      Álvaro de Campos
      À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
      Tenho febre e escrevo.
      Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
      Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
      Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
      Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
      Em fúria fora e dentro de mim,
      Por todos os meus nervos dissecados fora,
      Por todas as papilas fora de tudo com que eu [sinto!
      Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos [modernos,
      De vos ouvir demasiadamente de perto,
      E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
      De expressão de todas as minhas sensações,
      Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas! 




                                           CUBISMO

                                                                                       Fábrica em Horta de Ebro (1909)Picasso 
 Decomposição da realidade em figuras geométricas.
Manifesta-se a partir de 1917, na literatura.
Seu divulgador foi Appolinaire.
Decomposição da imagem em diferentes planos.
Desintegração da realidade gerando uma poesia ausente de lógica.
Linguagem caótica.

Poema Cubista
Poema de Sete Faces Carlos Drummond de Andrade
     
      Quando nasci, um anjo torto
      desses que vivem na sombra
      disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
    
                As casas espiam os homens
      que correm atrás de mulheres.
      A tarde talvez fosse azul,
      não houvesse tantos desejos.
     
               O bonde passa cheio de pernas:
      pernas brancas pretas amarelas.
      Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

EXPRESSIONISMO:

            Noite Estrelada (1889)van Gogh        A Boba, 1915/ 1916  Anita Malfatti
 Paralelo ao Futurismo e Cubismo.
Surge em 1910 pela revista “Der Sturn”.
A arte brota da vida interior; do íntimo do ser.
A obscuridade do ser é transportada para a expressão.
As telas retratam o patético, os vícios, os horrores, a guerra.
Protesta contra a violência e usa cores explosivas.
Reflete a crise de consciência gerada pela guerra.

POEMA EXPRESSIONISTA

A noite – Augusto dos Anjos


A nebulosidade ameaçadora 
Tolda o éter, mancha a gleba, agride os rios 
E urde amplas teias de carvões sombrios 
No ar que álacre e radiante, há instantes, fora. 


A água transubstancia-se. A onda estoura 

Na negridão do oceano e entre os navios 
Troa bárbara zoada de ais bravios, 
Extraordinariamente atordoadora. 

A custódia do anímico registro 
A planetária escuridão se anexa... 
Somente, iguais a espiões que acordam cedo, 

Ficam brilhando com fulgor sinistro 
Dentro da treva omnimoda e complexa 
Os olhos fundos dos que estão com medo.



                                                                 DADAÍSMO: 
 

Surge em 1916, em Zurique.
Promove certo terrorismo cultural.
Contraria todos os valores vigentes até então.
Valoriza o niilismo (descrença absoluta)
Mundo ilógico.
Cultua a realidade mágica da infância.
Seu principal divulgador foi Tristan Tzara.

 Poema dadaísta
Pegue um jornal.
      Pegue a tesoura.
      Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
      Recorte o artigo.
      Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
      Agite suavemente.
      Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
      Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
      O poema se parecerá com você.
      E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público. (Tristan Tzara)


SURREALISMO

                                   Metamorfose de Narciso - 1937- Dali

Surge em 1924 com o Manifesto Surrealista de André Breton.
Propõe que o homem se liberte da razão, da crítica, da lógica.
Adere à filosofia de Sigmund Freud.
Expressa o interior humano investigando o inconsciente.

Poema Surrealista

                                        As realidades                                              
      Era uma vez uma realidade
      com suas ovelhas de lã real
      a filha do rei passou por ali
      E as ovelhas baliam que linda que está
      a re a re a realidade.
      Na noite era uma vez
      uma realidade que sofria de insônia
      Então chegava a madrinha fada
      e realmente levava-a pela mão
      a re a re a realidade.

No trono havia uma vez
      um velho rei que se aborrecia
      e pela noite perdia o seu manto
      e por rainha puseram-lhe ao lado
      a re a re a realidade.
      CAUDA: dade dade a reali
      dade dade a realidade
      A real a real
      idade idade dá a reali
      ali
      a re a realidade
      era uma vez a REALIDADE. (Louis Aragon)


Fonte: imagens da internet







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