28 de mar de 2012

Millôr Fernandes morre aos 88 anos


Escritor, jornalista, cartunista, dramaturgo... Millôr foi um intelectual inquieto, um 'gênio brasileiro e ícone do humanismo', segundo as palavras da presidente

    O multi-talentoso Millôr Fernandes - escritor, jornalista, cartunista, dramaturgo, poeta, humorista - morreu na noite dreontem, terça-feira, 27, aos 88 anos, em sua casa em Ipanema, RJ, em decorrência de falência múltipla de órgãos.
    O velório será realizado amanhã, quinta-feira, 29, das 10h às 15h no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio. Após o velório, o corpo será cremado em cerimônia restrita à família.
    Saúde abalada
    Em novembro de 2011, Millôr recebeu alta depois de quase cinco meses internado na Casa de Saúde São José, RJ, e em fevereiro do ano passado, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) isquêmico.
    Vida e trabalho - obra, não!Millôr nasceu Milton Fernandes em 16 de agosto de 1923, mas só foi registrado em 27 de maio de 1924, razão pela qual tinha duas datas de aniversário e, nos documentos, ainda tinha 87 anos.
    O nome Millôr veio da confusão sugerida pela grafia em sua certidão: o "t" teve seu traço colocado sobre a letra "o" ficando com a aparência de um "l" e o "n" inconcluso, mais parecendo um "r", fizeram com que o nome mais se parecesse Millôr do que com Milton, como era a intenção.
    Órfão desde cedo - o pai morreu quando ele tinha um ano e a mãe, quando tinha dez - teve uma infância dura ou "dickensiana", conforme sua própria definição publicada na biografia de sua página no Facebook: "O período dickensiano, vendo o bife ser posto no prato dos primos, sem que o órfão tivesse direito. A família dispersa, os quatro irmãos cada qual pro seu lado, tentando sobreviver."
    Com apenas 14 anos, começou a trabalhar como jornalista. Aos 19, foi contratado pela revista "O Cruzeiro". No período em que ficou na publicação, as vendas subiram de 11 mil exemplares para 750 mil. Fez sua primeira exposição de desenhos em 1957, no Museu de Arte Moderna. Foi um dos criadores do "O Pif-Paf". Apesar de ter durado apenas oito edições, o jornal é considerado o início da imprensa alternativa no Brasil. Foi ainda um dos colaboradores de "O Pasquim", reconhecido por seu papel de oposição ao regime militar. Além disso, foi uma das primeiras personalidades brasileiras a ter espaço de destaque na internet, inaugurando seu site no ano 2000. No Twitter, tem mais de 368 mil seguidores.
    Millôr era um intelectual inquieto, porém, avesso a entrevistas, não costumava falar sobre seus trabalhos com jornalistas. Atuou como colaborador em revista e jornais, além de publicar dezenas de livros, como "The Cow Went to the Swamp ou A Vaca Foi para o Brejo" e "Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr" mas dizia que não tinha obra, pois isso seria “coisa de pedreiro”. Seu trabalho como tradutor foi marcante: suas versões de peças de Molière e Shakespeare se tornaram referência, assim como de outros autores, sobretudo de língua inglesa -como Edward Albee, Tennessee Williams e Beckett. Foi também um dramaturgo premiado, autor de peças como "Pigmaleoa" (1962) e "Computa, Computador, Computa" (1972) e, como se não bastasse, foi vice-campeão mundial de pesca ao atum na Nova Escócia, em 1953 e reivindicava o título de inventor do frescobol.


    Nota da presidência
    Em nota oficial, a presidente Dilma Rousseff lamentou a morte de Millôr, a quem se refere como "gênio brasileiro" e "ícone do humanismo", e conclui: "Com sua morte, o Brasil e toda a nossa geração perdem uma referência intelectual."


    Algumas pérolas do Millôr
    • Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor.
    • Chama-se de herói o cara que não teve tempo de fugir.
    • O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é.
    • Em agosto, nas noites de frio, a pobreza entra pelos buracos da roupa.
    • Idade da razão é quando a gente faz as maiores besteiras sem ficar preocupado.
    • Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem.
    • Todo homem nasce original e morre plágio.
    Fonte: http://www.jornalagora.com.br



    Um comentário:

    Professor Gilberto Cantu disse...

    Oi professora!
    Parece que o céu está precisando de humoristas.
    Mas a vida é assim mesmo. Deixaram um ótimo legado para a sociedade brasileira.
    Um grande abraço.